Como juntar dinheiro para comprar um carro
Neste artigo
- Quanto preciso juntar por mês para comprar um carro
- Quanto preciso ganhar para comprar um carro dessa faixa
- Consórcio ou financiamento: qual compensa
- O custo de ter o carro, que é a conta esquecida
- Enquanto você junta, o dinheiro pode render
- Como fazer o dinheiro do carro não se misturar com o resto
Para juntar R$ 50.000,00 e comprar um carro à vista em dois anos, você precisa guardar R$ 2.090,00 por mês; em três anos, R$ 1.390,00 por mês. Para um carro de R$ 100.000,00 são R$ 4.170,00 em dois anos ou R$ 2.780,00 em três. Se a ideia é dar entrada e financiar, a meta cai para 20% ou 30% desses valores. E existe uma segunda conta que quase ninguém faz antes: manter o carro custa todo mês, para sempre.
Juntar dinheiro para o carro falha quase sempre pelo mesmo motivo: a meta existe só na cabeça. «Estou juntando para o carro» normalmente quer dizer que o dinheiro está na mesma conta de sempre, misturado com o aluguel e o mercado, e que no fim do mês sobra o que sobrar. Que quase nunca é o que precisava sobrar.
Aqui estão as duas contas completas: quanto guardar por mês para chegar lá, e quanto o carro vai custar depois que ele for seu.
Quanto preciso juntar por mês para comprar um carro
A conta depende de dois números e de mais nenhum: a faixa de preço e o prazo que você se dá.
| Valor do carro | Em 12 meses | Em 24 meses | Em 36 meses | Entrada de 20% em 24 meses |
|---|---|---|---|---|
| R$ 50.000,00 | R$ 4.170,00 | R$ 2.090,00 | R$ 1.390,00 | R$ 420,00 |
| R$ 70.000,00 | R$ 5.840,00 | R$ 2.920,00 | R$ 1.950,00 | R$ 590,00 |
| R$ 100.000,00 | R$ 8.340,00 | R$ 4.170,00 | R$ 2.780,00 | R$ 840,00 |
| R$ 150.000,00 | R$ 12.500,00 | R$ 6.250,00 | R$ 4.170,00 | R$ 1.250,00 |
Leia a tabela de trás para a frente e ela fica mais útil: se o máximo que você consegue guardar sem apertar é R$ 1.400,00 por mês, o seu carro realista é um de R$ 50.000,00 em três anos. Essa frase incomoda, mas evita o erro caro de se esticar e vender o carro oito meses depois.
Quanto preciso ganhar para comprar um carro dessa faixa
Essa é a pergunta que aparece o tempo todo, e a resposta honesta é que não existe um número mágico. O que existe é uma verificação em três partes, e ela funciona melhor do que qualquer regra decorada.
- Cabe a parcela ou o aporte mensal? Olhe a tabela e veja se aquele valor sai do seu mês sem comer o que você precisa.
- Cabe o custo de ter o carro? IPVA, licenciamento, seguro, combustível, manutenção e estacionamento, somados e divididos por doze.
- Sobra reserva de emergência depois? Se comprar o carro zera a sua reserva, a conta não fechou, mesmo que a parcela caiba.
Se os três derem sim, dá. Se um der não, o problema não é a sua renda: é a faixa de preço escolhida.
Consórcio ou financiamento: qual compensa
São mecanismos diferentes, e entender a diferença resolve a dúvida melhor do que qualquer opinião.
No financiamento você tem o carro agora e paga juros por isso. O total que sai do seu bolso no fim é maior que o preço da loja, e quanto maior depende da taxa e do prazo. A diferença entre uma taxa boa e uma ruim em 48 ou 60 meses não é pequena, então vale pedir simulação em mais de um lugar antes de assinar.
No consórcio não há juros, mas há taxa de administração, e ela não é simbólica. A troca principal é outra: você não tem o carro no começo. Você entra num grupo e recebe a carta de crédito quando for contemplado, por sorteio ou dando um lance. Pode ser no mês dois ou no penúltimo mês do grupo, e essa incerteza é a parte que costuma ser mal explicada.
Então a escolha não é «juros contra sem juros», é esta: o financiamento vende tempo e cobra juros por ele; o consórcio é mais barato mas não garante quando. Se você precisa do carro para trabalhar na semana que vem, o consórcio não resolve o seu problema por mais barato que seja. Se a compra pode esperar e você quer pagar menos, ele faz sentido.
Em qualquer um dos dois, compare sempre o custo total e não a parcela. Parcela pequena com prazo longo esconde um total alto, e é assim que a maioria das propostas é montada.
O custo de ter o carro, que é a conta esquecida
Comprar é um pagamento. Ter é uma assinatura mensal que não acaba. Os gastos que aparecem sempre:
- IPVA, anual e estadual, calculado sobre o valor venal: carro mais caro paga mais todo ano.
- Licenciamento anual.
- Seguro, opcional na teoria e quase obrigatório na prática quando o carro é financiado.
- Combustível, conforme a sua quilometragem.
- Manutenção e pneus: revisões, óleo, freios, e um jogo de pneus de tempos em tempos.
- Estacionamento e pedágio, que nas capitais pesam mais do que parece.
O erro de cálculo clássico são os gastos anuais. IPVA, licenciamento e seguro não caem no orçamento mensal, então ninguém os enxerga, e chegam todos juntos no começo do ano. A solução é simples e quase ninguém faz: dividir por doze e separar essa parcela todo mês, desde antes de ter o carro.
Não coloco aqui valores exatos de IPVA nem de seguro porque mudam por estado, por ano e por veículo, e um número desatualizado faria você planejar errado. Levante os do modelo que te interessa, some, divida por doze e acrescente ao seu mês. Se com isso a conta não fecha, é melhor descobrir agora do que na concessionária.
Enquanto você junta, o dinheiro pode render
Dois ou três anos é tempo suficiente para a inflação corroer dinheiro parado, ou para ele render se estiver em algum lugar que renda. Não é a parte mais importante do plano, mas sobre R$ 100.000,00 acumulados ao longo de três anos a diferença aparece.
Dá para simular na calculadora de juros compostos com aporte mensal: você coloca o aporte, o prazo e a taxa, e vê onde chega. Um aviso de bom senso: se o carro é para daqui a um ano, esse dinheiro não vai para nada volátil. É dinheiro com data de saída marcada.
Como fazer o dinheiro do carro não se misturar com o resto
É aqui que a maioria desiste, e não é falta de força de vontade. Se o dinheiro do carro está na mesma conta de tudo, o seu cérebro vê o saldo total e gasta contra o saldo total. A saída não é prometer nada a si mesmo, é separar o dinheiro para ele não aparecer como disponível.
No AI Money isso são as metas de poupança: você cria uma chamada «Carro», define o valor e a data, e cada aporte sai do seu saldo disponível e entra ali. O app mostra quanto já tem, quanto falta e se o seu ritmo chega na data. O «Total guardado» serve de lembrete de que aquele dinheiro existe, mas não está disponível.
O resto vem do registro do dia a dia: se você também anota os gastos, em dois meses sabe de verdade quanto sobra por mês, que é o número que define o prazo. E anotar não precisa dar preguiça: você manda o gasto pelo WhatsApp, dita por áudio ou fotografa o cupom, e o app classifica.
O app é gratuito para sempre e não conecta o seu banco. Está disponível aqui, e se quiser comparar antes com outras opções tem a comparação de apps de controle financeiro.
Divida o valor do carro pelos meses que você se dá. Para um carro de R$ 50.000,00 são R$ 4.170,00 por mês em um ano, R$ 2.090,00 em dois anos e R$ 1.390,00 em três. Para um de R$ 100.000,00 são R$ 8.340,00, R$ 4.170,00 e R$ 2.780,00. Se for dar entrada de 20% e financiar o resto, a meta é um quinto desses valores.
Em doze meses o valor mensal fica alto: R$ 4.170,00 para um carro de R$ 50.000,00 e R$ 8.340,00 para um de R$ 100.000,00. Para a maioria, o caminho viável em um ano é juntar só a entrada e financiar o restante, ou baixar a faixa de preço. Alongar o prazo costuma ser mais seguro do que apertar tanto o mês a ponto de desistir no meio.
O financiamento entrega o carro na hora e cobra juros por isso. O consórcio não tem juros, mas tem taxa de administração e não garante quando você será contemplado, já que depende de sorteio ou lance. Se você precisa do carro agora, o consórcio não resolve. Se a compra pode esperar e o objetivo é pagar menos, ele faz sentido. Nos dois casos, compare o custo total e não o valor da parcela.
Os gastos fixos são IPVA, licenciamento, seguro, combustível, manutenção, pneus e estacionamento. Os valores mudam por estado, por ano e por veículo, então precisam ser levantados para o modelo específico. O ponto que mais desorganiza o orçamento é que IPVA, licenciamento e seguro são anuais: se não forem divididos por doze e separados todo mês, chegam todos juntos no início do ano.
Ajustando a faixa de preço e o prazo em vez da força de vontade. Guardando R$ 600,00 por mês você chega a R$ 21.600,00 em três anos, o que já é uma entrada confortável ou um carro usado mais simples. Também ajuda separar o dinheiro no dia em que você recebe, e não no fim do mês, porque o que fica na conta comum tende a ser gasto.
À vista você não paga juros, o que é a opção mais barata em total. Em troca, você tira de uma vez um dinheiro que levou anos para juntar. A recomendação que evita problema é não zerar a reserva de emergência na compra: um carro recém-comprado gera despesas imediatas, e ficar sem reserva no mesmo mês costuma terminar em dívida no cartão.
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